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Displasia Coxofemoral – (portuguese)

A displasia coxofemoral, ou displasia de quadril, é a má formação da articulação que se localiza entre o fêmur e a bacia do cão. Manifesta-se tanto em machos como em fêmeas, em um quadril ou em ambos. O cão não apresenta a displasia ao nascer, mas a desenvolve durante os dois primeiros anos de vida. É uma doença progressiva, que causa inflamação, dor e artrite do quadril afetado. Nos cães afetados, o problema é agravado com exercícios intensos, e ao sentar, deitar e subir escadas. Pode incidir de forma branda ou severa, sendo que os sinais clínicos podem ser mais evidentes em cães jovens (menos de um ano de idade).
Sua transmissão se dá através de herança poligênica, o que significa, em linhas gerais, ser a combinação de múltiplos genes. Assim sendo, mesmo um casal que não apresente o problema, a combinação de seus genes pode resultar em transmissão da doença para sua descendência.

O diagnóstico da displasia é feito através de raio-x. O médico veterinário deve ter especialidade em radiologia e estar apto para bater chapas de alta qualidade, a fim de que haja um laudo adequado à realidade do animal. O laudo definitivo deve ser emitido a partir dos 24 meses de idade do cão.

Husky Siberiano e a Displasia Coxofemoral

Até pouco tempo no Brasil, acreditava-se que não havia importância em radiografar os Huskies Siberianos devido à baixa incidência do problema na raça. Segundo dados emitidos pela OFA (Orthopedic Foundation for Animals) e divulgados pelo SHCA (Siberian Husky Club of América), de janeiro de 1994 a dezembro de 1998, 12.087 Huskies Siberianos tiveram suas radiografias avaliadas pela OFA. Desse total, 30,5% dos cães receberam “excelente”, e apenas 2,2% foram diagnosticados displásicos.

Há dados apresentados pelas mesmas entidades que evidenciam uma grande queda de animais afetados a partir de 1980, momento em que a raça começou a ficar mais popular e, consequentemente, a existir um maior número de criadores e de cachorros produzidos. Essa diminuição de Huskies Siberianos afetados por displasia coxofemoral se dá devido à cooperação de criadores em seguirem os protocolos indicados pelo SHCA e pela OFA, dispondo-se a checar seus animais com profissionais qualificados. Se não houvesse um controle desde aquela época, provavelmente hoje a displasia coxofemoral seria uma grande “dor de cabeça” para a maioria dos criadores de Huskies Siberianos. Salienta-se ainda a grande contribuição nesse sentido de preservação da saúde da raça por parte da maioria dos países europeus, que realizam rígido controle nos Huskies Siberianos destinados à reprodução.

É de extrema importância que um Husky Siberiano não possua displasia, pois tal doença impossibilitaria um cão de exercer sua função de trabalho, afetando sua movimentação livre e sem esforço. É altamente recomendado, portanto, que os criadores brasileiros se conscientizem da importância de dar continuidade a este senso de preservação da saúde da raça, que já se iniciou há décadas em outros países, de forma que todos os cães direcionados à reprodução tenham seus quadris radiografados e que somente aqueles que recebam laudo negativo para displasia emitido por profissional qualificado sejam acasalados.

Classificação do grau de displasia

Método de Norberg - aceito pela FCI (Fédération Cynologique Internationale) e acolhido pelo CBRV (Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária):

Grau A (HD -) - articulação normal, isento de displasia. A cabeça femoral e o acetábulo são congruentes. A borda crânio-lateral apresenta-se pontiaguda e ligeiramente arredondada. O espaço articular é estreito e regular. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 105º (como referência). Em articulações coxofemorais excelentes, a borda crânio-lateral circunda a cabeça femoral pouco mais na direção látero-caudal.

Grau B (HD+/-) - próxima do normal. A cabeça femoral e o acetábulo são ligeiramente incongruentes e o ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 105º ou o centro da cabeça femoral se apresenta medialmente à borda acetabular dorsal e a cabeça femoral e o acetábulo são congruentes.

Grau C (HD +) - displasia leve. A cabeça femoral e o acetábulo são incongruentes. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 100º ou há um ligeiro achatamento da borda acetabular crânio-lateral, ou ambos. Poderão estar presentes irregularidades ou apenas pequenos sinais de alterações osteoartrósicas da margem acetabular cranial, caudal ou dorsal ou na cabeça e colo femoral.

Grau D (HD++) - displasia moderada. A incongruência entre a cabeça femoral e o acetábulo é evidente, com sinais de subluxação. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 95º como referência. Presença de achatamento da borda crânio-lateral ou sinais osteoartrósicos, ou ambas.

Grau E (HD+++) - displasia severa. Há evidentes alterações displásicas da articulação coxofemoral, com sinais de luxação ou distinta subluxação. O ângulo de Norberg é menor que 90º. Há evidente achatamento da borda acetabular cranial, deformação da cabeça femoral (formato de cogumelo, achatamento) ou outros sinais de osteoartrose.

Um cão só é totalmente isento de displasia se for HD (-). O HD (+/-), por exemplo, é uma articulação quase normal, mas não é isenta.

Até o grau C, o cão é aceito para reprodução. Porém, um animal grau C, só deverá acasalar com um de grau A.

Laudos oficiais no Brasil

As radiografias devem ser encaminhadas ao CBRV (Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária):

Caixa Postal 42041
CEP: 04073-970
São Paulo – SP
Email: colegio@abrv.com.br

Normas do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária:

Os exames radiográficos deverão ser encaminhados ao CBRV pelos proprietários dos cães ou veterinários, para a avaliação das articulações coxofemorais e emissão do Laudo Oficial, quanto à presença ou não de displasia.

Junto ao exame radiográfico deverão ser enviados os seguintes documentos:

- Cópia autenticada do “Pedigree” do animal,
- Termo de responsabilidade do proprietário,
- Termo de responsabilidade do médico veterinário responsável pelo exame radiográfico,
- Taxa referente às despesas da avaliação.

Procedimentos (CBRV)

O procedimento radiográfico deverá ser realizado conforme as normas do CBRV para a avaliação das articulações coxofemorais em relação à Displasia coxofemoral envolve os seguintes quesitos:

1. Idade: A avaliação das condições articulares será realizada definitivamente a partir dos 24 meses de idade completos. Esta condição poderá ser precedida de avaliações preliminares das articulações coxofemorais, que fornecerão dados precoces de normalidade ou não das mesmas, cujo exame poderá ser realizado em torno e a partir de doze meses de idade.

2. Contenção: Com a finalidade de assegurar a qualidade técnica desejável, é obrigatória a contenção do paciente mediante a utilização de associações farmacológicas, capazes de determinar perfeito relaxamento do animal, para se obter o posicionamento correto e livre de reações por parte do cão.

3. Posicionamento: O animal deverá se mantido em decúbito dorsal, com os membros pélvicos em extensão, paralelos entre si e em relação à coluna vertebral, tomando-se o cuidado de manter as articulações fêmoro-tíbio-patelares rotacionadas medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. Deve-se ainda ter o cuidado para que a pelve fique em posição horizontal. Uma segunda radiografia poderá também ser utilizada com os membros pélvicos flexionados.

4. Identificação do filme: Na identificação permanente do filme, deverá constar o nome e o número de registro do animal, número de identificação do mesmo pela tatuagem ou microchip, espécie, raça, data de nascimento, data do exame radiográfico, identificação da articulação coxofemoral direita ou esquerda e o local onde o exame for realizado.

5. Tamanho do filme: O filme radiográfico deverá ser suficiente para incluir toda a pelve e as articulações fêmoro-tíbio-patelares do paciente.

6. Qualidade da radiografia: Serão analisadas as radiografias cujo padrão de qualidade ofereça condições de visibilização da microtrabeculação óssea da cabeça e colo femorais e, ainda, definição precisa das margens da articulação coxofemoral, especialmente da borda acetabular dorsal.

7. Laudo: A comissão, ao receber a radiografia, avaliará sua qualidade para o diagnóstico, ficando a seu cargo a possibilidade de devolução ao médico veterinário que a realizou, caso não obedeça aos padrões técnicos desejados. Para a emissão do laudo definitivo, cada radiografia será examinada por uma comissão constituída por três médicos veterinários radiologistas membros do CBRV. O proprietário terá direito, mediante o pagamento dos respectivos custos, de recorrer a um segundo e último diagnóstico, submetido ao júri da displasia coxofemoral do Comitê Cientifico da Federação Cinológica Internacional.

Mariana Lese Hoffmann
Criadora da raça Husky Siberiano
Canela/RS – Brasil
www.bukharinsiberians.com

Texto publicado no Boletim do Clube do Husky Siberiano do Estado de São Paulo. Por: Mariana Lese Hoffmann – Titular do afixo Bukharin Siberians, criadora da raça Husky Siberiano desde 1994. Revisão técnica: Dra. Maria Ignez Carvalho Ferreira – Médica Veterinária, Professora Adjunta de Clínica Médica da UFRRJ e criadora de Dobermanns, titular do afixo JIF Dobermanns. É proibida a cópia parcial ou total sem autorização dos textos e fotos aqui publicados. Todos os direitos autorais reservados.

 

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Mar at 6:26 PM

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